Os pomares mais antigos da Bulgária – uma tradição que ainda dá frutos

A Bulgária tem tradições centenárias na fruticultura e algumas áreas do país são conhecidas como verdadeiros “jardins dos Balcãs”. Já no século XIX, as árvores de fruto eram a principal fonte de rendimento de regiões inteiras e hoje alguns destes antigos pomares continuam a ser mantidos e a produzir culturas.

A região de Kyustendil está sem dúvida entre os centros de fruticultura mais famosos do nosso país. Não é por acaso que a cidade é chamada de “Pomar da Bulgária”. O clima favorável, o solo fértil e as tradições de cultivo de cerejas, ameixas e maçãs fizeram da região um símbolo da fruticultura búlgara já no início do século XX.

A história da fruticultura científica na Bulgária também começa aí. Em 1929, foi criada em Kyustendil a Estação Experimental de Frutas – o primeiro centro de atividade científica de fruticultura do país. O atual Instituto de Agricultura de Kyustendil é herdeiro desta tradição e trabalha na seleção e desenvolvimento de culturas frutíferas há quase um século.

Antigos pomares de cerejas e ameixas plantados há décadas ainda podem ser vistos na região. Alguns deles foram criados já no período entre as duas guerras mundiais. Os produtores locais afirmam que, no passado, quase todas as famílias mantinham o seu próprio pomar e as cerejas Kyustendil eram exportadas para a Europa Central.

Outra região com profundas tradições frutícolas é Sliven. Pêssegos e ameixas são cultivados lá há séculos, e na área de Karnobat e Aytos os antigos pomares de ameixa eram conhecidos ainda durante o Império Otomano. No norte da Bulgária, os jardins de damasco são tradicionalmente desenvolvidos perto de Ruse, Silistra e Tutrakan.

É interessante que o desenvolvimento da fruticultura moderna após a Libertação tenha sido apoiado por especialistas estrangeiros, incluindo pomologistas e agrónomos checos, que participaram na formação dos primeiros fruticultores búlgaros.

Hoje, alguns dos pomares mais antigos já foram arrancados ou substituídos por novas plantações, mas em muitas áreas ainda existem árvores com décadas de idade que continuam a dar frutos. Para os agricultores, não são apenas uma exploração agrícola, mas um legado transmitido entre gerações.

Segundo os especialistas, é a preservação das variedades antigas e das regiões frutícolas tradicionais que pode ser a chave para o futuro da fruticultura búlgara. As antigas variedades locais são frequentemente mais resistentes às alterações climáticas e mantêm o sabor característico pelo qual as frutas búlgaras são conhecidas.

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