O sector agrícola da Grécia, um pilar tradicional da economia local, enfrenta um teste dramático. A região de Triphylia, no Peloponeso, que foi uma das primeiras no continente a aderir à época activa, está actualmente inundada com produtos para os quais os compradores estão praticamente ausentes. Paradoxalmente, a grande colheita tornou-se uma maldição para os produtores.
De 1,50€ até ao limite da sobrevivência
Em apenas um mês, a situação tomou um rumo catastrófico. Se no início de Março, devido à escassez de oferta e ao tempo nublado, os preços ao produtor atingiram 1,50 euros/kghoje o quadro é radicalmente diferente. Com todas as estufas funcionando a plena capacidade, o mercado entrou em colapso.
“Atualmente estamos entre 0,40 e 0,50 euros/kg“, diz Yorgos Alexandropoulos, presidente da organização Filiatron Gaia. Este preço mal cobre os enormes custos de produção, que ascendem a cerca de 80.000 euros por hectare. Os agricultores trabalham a zero até que a sua produção atinja quantidades e tamanhos máximos.
A tempestade perfeita: excesso de oferta e mercados fechados
A crise foi agravada por vários factores que se juntaram numa “tempestade perfeita”:
- Concorrência interna: Os problemas de vírus nos tomates forçaram muitos agricultores a mudar em massa para o cultivo de pepinos, resultando num excedente histórico.
- O fator dos Balcãs: O mercado central de Salónica, uma importante porta de entrada para os Balcãs, registou uma queda na procura. A razão? A Albânia e os países vizinhos iniciam a sua própria temporada, fechando o nicho para as exportações gregas.
- Juros zero de Atenas: A procura na capital grega tem sido descrita pelos fabricantes como “quase nula” e as expectativas para a Páscoa continuam pessimistas.
Turismo sob a sombra da guerra
O grande ponto de interrogação continua sendo a temporada de verão. Os produtores estão preocupados com a falta de compradores das ilhas gregas. Há receios de que as tensões geopolíticas no Médio Oriente possam afectar o turismo grego. Se os hotéis e restaurantes permanecerem vazios, o mercado de legumes frescos sofrerá um golpe fatal.
O pôr do sol de uma profissão?
O futuro do sector parece incerto não só por causa da economia, mas também por causa da crise demográfica nas aldeias. Os jovens evitam enormemente o trabalho árduo em estufas, embora tenham uma base pronta dos pais. “Em dez anos, a produção agrícola será drasticamente reduzida”, alertou Alexandropoulos, sublinhando a falta de apoio governamental neste momento crítico.