A mastite continua sendo uma das doenças mais graves e dispendiosas no gado leiteiro. Apesar dos avanços na nutrição, criação e medicina veterinária, a mastite continua a causar perdas económicas significativas tanto nas grandes como nas pequenas explorações.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a mastite está entre as principais causas da redução da produtividade do leite, do abate de animais e do aumento dos custos médicos no setor leiteiro.
O que é mastite?
A mastite é uma inflamação da glândula mamária, geralmente causada por infecções bacterianas. A doença pode ocorrer de forma clínica – com sintomas claramente visíveis, ou de forma subclínica, em que os sinais externos estão quase ausentes, mas a produtividade diminui gradativamente.
É a mastite subclínica que é frequentemente referida como o “inimigo silencioso” das explorações agrícolas. Pode passar despercebido durante meses, enquanto entretanto degrada a qualidade do leite e aumenta o número de células somáticas.
Especialistas da Universidade Cornell – Faculdade de Medicina Veterinária observam que as perdas decorrentes da mastite subclínica muitas vezes superam as dos casos clínicos justamente por sua difícil detecção precoce.
Quais são os principais sintomas?
Na mastite clínica, os agricultores observam mais frequentemente alterações no leite – presença de flocos, coágulos ou consistência aquosa. O úbere pode ficar inchado, vermelho e dolorido, e o animal pode apresentar sinais de letargia e redução do apetite.
Os sinais mais comuns incluem:
- redução da oferta de leite;
- aumento do número de células somáticas;
- mudança no tipo e consistência do leite;
- inchaço e calor do úbere;
- febre e fadiga em casos graves.
De acordo com o Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia dos EUA (NCBI), os patógenos mais comuns são bactérias como Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Streptococcus uberis.
Por que a doença traz grandes prejuízos financeiros
O custo económico da mastite não se limita aos custos dos medicamentos. A doença leva à menor produção de leite, deterioração da qualidade da matéria-prima, rejeição do leite durante o tratamento com antibióticos e perda precoce de animais do rebanho.
Uma pesquisa da Universidade de Minnesota – Programa de Extensão em Laticínios mostra que mesmo formas leves de mastite podem reduzir a produção de leite entre 5 e 15 por cento por lactação.
Além das perdas diretas, contagens elevadas de células somáticas muitas vezes levam a penalidades por parte dos laticínios ou a um preço de compra mais baixo do leite.
O que aumenta o risco de mastite?
Os especialistas apontam que a doença se desenvolve mais frequentemente com uma combinação de falta de higiene, estresse e imunidade enfraquecida. Camas sujas, ambientes úmidos e ordenha inadequada aumentam muito o risco de infecções.
O estresse térmico durante os meses de verão também enfraquece as defesas naturais do corpo. Em altas temperaturas, as vacas consomem menos ração, o que afeta negativamente o sistema imunológico e a resistência a infecções.
A prevenção continua sendo a melhor solução
Os especialistas veterinários estão convencidos de que o sucesso do controle da mastite depende principalmente da prevenção. Uma boa higiene do celeiro, uma desinfecção adequada antes e depois da ordenha e um controlo regular das células somáticas estão entre as medidas mais eficazes.
Cada vez mais explorações agrícolas estão também a investir em sistemas de detecção precoce de doenças através da monitorização automática do leite. Isso permite que a infecção seja detectada antes mesmo do aparecimento de sintomas visíveis.
De acordo com a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), uma boa gestão da saúde do úbere é um factor chave não só para a sustentabilidade económica das explorações, mas também para a qualidade e segurança dos produtos lácteos.
A pressão sobre o setor está aumentando
Num contexto de aumento dos custos de produção e de maiores exigências na qualidade do leite, a mastite continua a ser um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores de leite. Cada vez mais fabricantes percebem que o diagnóstico precoce e a prevenção rigorosa não são mais uma recomendação, mas uma necessidade para a sobrevivência no mercado competitivo.