As doenças parasitárias continuam a estar entre os problemas mais graves na ovinocultura, especialmente na criação de pastagens. Nos últimos anos, no entanto, os especialistas veterinários alertaram para uma tendência cada vez mais alarmante – uma redução na eficácia de algumas preparações de desparasitação.
O fenómeno, conhecido como resistência antiparasitária, já está a ser relatado em vários países da Europa, Austrália e América do Sul e está a começar a tornar-se um sério risco económico para os agricultores. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), o uso excessivo e incorreto de preparações antiparasitárias acelera o desenvolvimento de populações de parasitas resistentes.
Por que os parasitas são tão perigosos?
Parasitas internos em ovinos, especialmente nematóides gastrointestinais, podem reduzir seriamente a produtividade do rebanho. Os animais afetados perdem peso, têm imunidade mais fraca, fertilidade reduzida e menor produção de leite.
Os cordeiros e os animais jovens são os mais vulneráveis, onde infecções graves podem levar a uma mortalidade elevada. Entre os parasitas mais comuns estão Haemonchus contortus, Teladorsagia circuncincta e Trichostrongylus.
Segundo a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), as alterações climáticas e os invernos mais amenos na Europa criam condições cada vez mais favoráveis ao desenvolvimento e propagação de parasitas nas pastagens.
Como obter resistência
Durante décadas, a desparasitação regular foi aceite como prática padrão nas explorações agrícolas. Em muitos casos, as preparações são aplicadas profilaticamente várias vezes por ano, muitas vezes sem testes laboratoriais ou avaliação precisa do contágio.
É isto que cria as condições para que os parasitas desenvolvam gradualmente resistência às substâncias ativas. Os organismos mais resistentes sobrevivem ao tratamento e transmitem esta capacidade às gerações subsequentes.
Uma investigação da Universidade de Glasgow – Escola de Biodiversidade, One Health & Veterinary Medicine mostra que já está a ocorrer resistência a vários grupos importantes de medicamentos antiparasitários amplamente utilizados em ovinos.
Quando um agricultor deve suspeitar?
O primeiro sinal geralmente é a falta do efeito esperado após a desparasitação. Os animais continuam a perder peso, apesar do tratamento aparecem anemia, diarreia ou cansaço geral.
Em alguns casos, os agricultores aumentam as doses ou a frequência do tratamento, agravando ainda mais o problema. Os especialistas alertam que isto pode acelerar o desenvolvimento de resistência e reduzir a eficácia de outras preparações disponíveis.
Os principais sinais de alerta são:
- falta de melhora após o tratamento;
- reaparecimento dos sintomas em pouco tempo;
- emagrecimento e anemia em cordeiros;
- alta infestação apesar da desparasitação regular;
- redução da produtividade do rebanho.
Que soluções os agricultores procuram?
Cada vez mais especialistas veterinários recomendam mudar para a chamada desparasitação direcionada. Em vez de tratar todo o rebanho dentro do prazo, são realizados exames laboratoriais e apenas os animais altamente infectados são tratados.
A prática também inclui a alternância de diferentes substâncias ativas, uma melhor gestão das pastagens e a limitação da sobrelotação. A rotação de pastagens e o repouso no campo também ajudam a reduzir a pressão parasitária.
De acordo com especialistas da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o controlo integrado de pragas será fundamental para a criação sustentável de ovinos nos próximos anos.
Um problema que vai piorar
Especialistas alertam que a resistência antiparasitária não é mais um risco futuro, mas sim um problema real na pecuária. O desenvolvimento de novas preparações requer anos e investimentos sérios, enquanto os parasitas se adaptam com relativa rapidez.
Neste contexto, a gestão adequada dos rebanhos, o diagnóstico atempado e o uso criterioso de medicamentos tornam-se factores decisivos para a sobrevivência de muitas explorações ovinas.