A brucelose animal e a tuberculose continuam a estar entre as doenças mais perigosas na pecuária, apesar dos programas de controlo e prevenção de longa data na Europa. Além de causarem graves prejuízos económicos às explorações agrícolas, ambas as doenças também representam um risco para a saúde pública porque podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), são as zoonoses que continuam a ser um dos maiores desafios que a pecuária global enfrenta, e a brucelose e a tuberculose estão entre as infecções mais significativas neste grupo.
O que é brucelose?
A brucelose é uma doença bacteriana que afeta principalmente bovinos, ovinos, caprinos e suínos. É causada por bactérias do gênero Brucela e se espalha facilmente pelo contato com animais infectados, secreções, frutas abortadas ou ambiente contaminado.
Nos animais, a doença leva mais frequentemente a abortos, infertilidade, retenção placentária e redução da produção de leite. São os problemas reprodutivos que causam algumas das maiores perdas económicas nas explorações agrícolas.
Para os humanos, a infecção também é perigosa. A infecção pode ocorrer através do contato com animais infectados ou através do consumo de leite cru e derivados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a brucelose continua sendo uma das doenças bacterianas mais comuns transmitidas de animais para humanos.
A tuberculose em animais continua a ser uma séria ameaça
A tuberculose bovina é causada principalmente por Mycobacterium bovis. A doença afeta mais comumente o gado, mas também pode ser encontrada em outros animais, incluindo caça.
O problema da tuberculose é que a doença muitas vezes se desenvolve lentamente e permanece sem sintomas claros por muito tempo. Os animais infectados podem gradualmente tornar-se emaciados, ter tosse crónica e produtividade reduzida.
De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), apesar dos progressos registados em vários países, continuam a registar-se surtos de tuberculose bovina na Europa, especialmente em áreas com criação intensiva de gado e contacto com animais selvagens.
Por que o controle é tão importante
Em ambas as doenças, a detecção precoce é crucial. Uma vez na exploração, as infecções podem espalhar-se rapidamente e levar ao abate em massa de animais, restrições comerciais e graves perdas financeiras.
O controle inclui exames laboratoriais regulares, vigilância veterinária, rastreamento de movimentação de animais e medidas rígidas de biossegurança. Programas nacionais de erradicação de doenças também são implementados em muitos países.
As medidas de mitigação de risco mais importantes incluem:
- exames veterinários regulares;
- controle da movimentação de animais;
- boa higiene e biossegurança nas explorações;
- destruição de animais infectados;
- evitando o comércio não regulamentado e as importações ilegais.
O dano económico pode ser enorme
Além das perdas directas na mortalidade e da redução da produtividade, os surtos de brucelose e de tuberculose conduzem frequentemente a restrições comerciais e à perda de mercados. Em caso de casos confirmados, as fazendas poderão ser colocadas em quarentena e as exportações suspensas temporariamente.
Isto é particularmente sensível para os países que dependem das exportações de produtos lácteos e de carne. De acordo com análises da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, as doenças infecciosas dos animais estão a exercer uma pressão crescente sobre a segurança alimentar global e a sustentabilidade do sector.
O risco não deve ser subestimado
Especialistas veterinários alertam que o aumento da circulação de animais, o comércio internacional e as alterações climáticas aumentam o risco de propagação de doenças infecciosas.
Por conseguinte, o controlo da brucelose e da tuberculose continua a não ser apenas uma questão veterinária, mas um elemento estratégico da segurança de toda a pecuária e da cadeia alimentar.