Como a má alimentação desencadeia doenças no gado

A qualidade da forragem está entre os fatores mais importantes para a saúde e produtividade dos animais de produção. No entanto, muitos agricultores subestimam o risco de alimentos para animais de má qualidade, contaminados ou armazenados de forma inadequada, o que pode levar a doenças graves e perdas económicas.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a nutrição tem impacto direto na imunidade, reprodução e resistência dos animais às infecções. Mesmo problemas alimentares de curto prazo podem afetar a produção de leite, o crescimento e a condição geral do rebanho.

Quando a comida se torna um risco

Feed ruim nem sempre parece estragado. Em muitos casos, o problema é invisível – presença de mofo, toxinas, bactérias ou falta de nutrientes importantes.

Particularmente perigosas são as micotoxinas – substâncias tóxicas formadas por fungos durante o armazenamento inadequado de grãos e silagens. Eles podem se desenvolver em condições de alta umidade e pouca ventilação, mesmo sem sinais claramente visíveis.

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), as micotoxinas estão entre os principais riscos para a saúde animal e podem afetar toda a cadeia alimentar.

Que doenças causam alimentos de má qualidade?

Em bovinos e ovinos, a má nutrição conduz frequentemente a distúrbios digestivos, acidose, imunidade enfraquecida e problemas reprodutivos. Nos animais leiteiros, há diminuição da produção de leite e maior risco de mastite.

Aves e suínos também são altamente sensíveis a alimentos contaminados. Mesmo baixos níveis de toxinas podem levar a um crescimento mais lento, à redução do consumo de alimentos e ao aumento da mortalidade.

Especialistas veterinários alertam que a alimentação prolongada com rações desequilibradas enfraquece o organismo e aumenta o risco de infecções e doenças parasitárias.

Os sinais de alerta mais comuns

Os problemas alimentares são geralmente reconhecidos por mudanças graduais nas condições dos animais. Os agricultores notam frequentemente um declínio na produtividade mesmo antes do aparecimento de doenças visíveis.

Os sinais mais comuns incluem:

  • diminuição do apetite;
  • diminuição na oferta de leite;
  • diarréia e inchaço;
  • emagrecimento e má condição física;
  • problemas reprodutivos;
  • aumento da morbidade no rebanho.

A silagem está entre as fontes mais comuns de problemas

A silagem mal preparada pode se tornar uma fonte séria de bactérias e toxinas. Se a fermentação não prosseguir adequadamente, criam-se condições para o desenvolvimento de microrganismos perigosos.

Segundo especialistas da Universidade Cornell – Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida, a má compactação e a penetração do ar estão entre as principais causas da deterioração da silagem.

Nos meses quentes, o risco aumenta ainda mais, pois as altas temperaturas aceleram o crescimento de fungos e bactérias.

Como os agricultores podem limitar o risco

Os especialistas recomendam o controle regular da qualidade da ração e análises laboratoriais em caso de suspeita de contaminação. O armazenamento adequado também é importante – ambientes secos, boa ventilação e proteção contra umidade.

Rações balanceadas de acordo com a idade e produtividade dos animais também são cruciais para manter uma imunidade forte.

Cada vez mais explorações estão também a investir em sistemas de monitorização da alimentação, uma vez que mesmo pequenos erros na alimentação podem levar a graves consequências financeiras.

A saúde começa com a alimentação

Num contexto de aumento dos custos da produção pecuária, a qualidade dos alimentos está a tornar-se um factor-chave para a produção sustentável. Os especialistas veterinários afirmam que uma boa prevenção não começa com medicamentos, mas com uma nutrição adequada.

Para muitos agricultores, o controlo da forragem é hoje um dos investimentos mais importantes na manutenção de um rebanho saudável e produtivo.

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